Propósito

André Buchmann Müller 07 de abril de 2025

Negar la sucesión temporal, negar el yo, negar el universo astronómico, son desesperaciones aparentes y consuelos secretos. Nuestro destino (a diferencia del infierno de Swedenborg y del infierno de la mitología tibetana) no es espantoso por irreal; es espantoso porque es irreversible y de hierro. El tiempo es la sustancia de que estoy hecho. El tiempo es un río que me arrebata, pero yo soy el río; es un tigre que me destroza, pero yo soy el tigre; es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego. El mundo, desgraciadamente, es real; yo, desgraciadamente, soy Borges.

— Jorge Luis Borges

Em 1966, Stewart Brand, inspirado por uma visão lisérgica que revelava a Terra como uma esfera azul flutuando no cosmos, iniciou uma campanha exigindo imagens nunca antes vistas do nosso planeta por inteiro. Sua intenção era mudar a forma como os humanos se relacionam com ele.

A campanha deu frutos, e as imagens foram liberadas pela NASA em 1968. A fotografia da Terra vista do espaço tirada pelo satélite ATS-3 tornou-se o ponto de partida para o Whole Earth Catalog, publicação revolucionária que conectava ciência, liberdade pessoal, conhecimento prático e espiritualidade em uma única narrativa.

WEC Fall 1969 Cover, 1968. GFDL.
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Hoje, mais de meio século depois, nós temos acesso a outra imagem transformadora: em abril de 2019 o Event Horizon Telescope disponibilizou pela primeira vez a fotografia do horizonte de eventos de um buraco negro. Com a foto do M87*, o invisível tornou-se visível, e estamos novamente diante de uma profunda mudança na consciência humana.

M87* — primeira fotografia de um horizonte de eventos de buraco negro. Event Horizon Telescope Collaboration, 2019. CC BY 4.0.

Assim como Brand percebeu que estávamos prontos para assumir o papel de protagonistas e nos responsabilizar pelo nosso mundo ( "We are as gods and might as well get used to it" ), agora somos confrontados com desafios inéditos: inteligência artificial geral (AGI), biotecnologia avançada, mudanças climáticas extremas, guerras tecnológicas, crises financeiras e abismos existenciais que emergem da sensação de impotência diante da complexidade moderna.

O Black Hole Catalog nasce deste momento de desafio. Se no passado olhávamos a Terra como um todo, agora somos convidados também a olhar para dentro. Precisamos traduzir o individual no coletivo e entender que o buraco negro não é apenas um fenômeno astrofísico distante, mas uma metáfora do desconhecido profundo que enfrentamos como indivíduos e como espécie.

Navegar por esse mundo exige, mais do que nunca, que sejamos conscientes, corajosos e abertos. Exige que aceitemos nossa dupla natureza — de criadores e criaturas, observadores e participantes. Essa revista pretende ser um guia para a exploração pessoal, interna e externa, reunindo recursos, ideias, ferramentas e inspiração para que possamos moldar um futuro com mais equilíbrio.

Somos o rio, somos o tigre, somos o fogo, somos o tempo. Somos deuses e somos humanos diante do infinito.

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O texto de Brand, que iniciava a bíblia da contracultura dos anos 60, ainda ecoa:

We are as gods and might as well get used to it. So far, remotely done power and glory — as via government, big business, formal education, church — has succeeded to the point where gross obscure actual gains. In response to this dilemma and to these gains a realm of intimate, personal power is developing — power of the individual to conduct his own education, find his own inspiration, shape his own environment, and share his adventure with whoever is interested.

— Stewart Brand, Whole Earth Catalog, 1968

Ferramentas que auxiliam nesse processo são curadas pelo BLACK HOLE CATALOG.

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